Novos Poemas Póstumos

Jornal de Letras - Depois de Novos Poemas Póstumos não voltou a escrever?

Rómulo de Carvalho - Aí, foi a decisão ao contrário [em relação a dar a conhecer a sua poesia]: Agora, o melhor é morrer...

JL - E pôde assim tão facilmente declarar a morte do poeta?

R.C. - Sim, sim. Quando reconheci que já não valia a pena escrever, principalmente porque cairia no hábito de me repetir. Achei que era melhor ficar naquele ponto para que isso não me acontecesse. O António Gedeão morreu. Paz à sua alma.

JL - O que era então para si escrever poesia?

RC - Uma necessidade muito íntima da pessoa se queixar daquilo que sente. Mas claro que quando as pessoas se queixam muito, tornam-se maçadoras...Acabam por incomodar os outros. Por isso, achei melhor parar.

In NUNES, Maria Leonor, o físico prodigioso, in Jornal de Letras, Lisboa, ano XVI/nº680, de 6 a 19 de Novembro de 1996, pp. 15-17.

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