Reacções à morte de Rómulo de Carvalho/António Gedeão
"Os poetas tem o truque de nunca morrer definitivamente. De cada vez que lemos os seus poemas ou os ouvimos, voltamos a recordá-los como se estivessem vivos e presentes.
( ) Não conhecia pessoalmente o poeta quando decidi cantar a «Pedra Filosofal». Escolhi esse poema, porque ele diz aquelas coisas que eu próprio gostaria de ter escrito. Mais tarde conheci-o pessoalmente e ao longo do tempo fui criando por ele uma grande amizade e respeito. Era um homem sereno e reservado, que falava pouco, mas tinha «saídas» com muito humor. Perguntei-lhe se ele não estava farto de homenagens e ele respondeu, com a sua discreta ironia: já estou arrependido de ter escrito a Pedra Filosofal.
( ) António Gedeão não morreu hoje- ele já tinha morrido há algum tempo. O próprio tinha escrito os seus últimos livros dizendo que eram «Poemas Póstumos». No fundo quem desapareceu hoje foi o homem: amigo dos seus amigos, pai dos seus filhos, marido da sua mulher. Lamento profundamente o seu desaparecimento. O Rómulo viveu uma vida magnífica."
Manuel Freire*
* Cantor que consagrou o poema de Gedeão «Pedra Filosofal»
In Jornal A Capital, nº 9076, 20 de Fevereiro, 1997
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