"Tempo da Lenda das Amoreiras"
«RIMANCE DA PRINCESA
DO PAÍS DOS GELOS QUE
EM TERRAS DE MOIRAMA
SUSPIRAVA CONTADO
EM LOUVOR DA FANTASIA
DUM POVO QUE
NASCE VIVE E MORRE
ENTRE O CÉU E A ÁGUA.
(...)
A Princesa
Ai portas do meu silêncio.
Ai vidros da minha voz.
Ai cristais da minha ausência
da terra dos meus avós
desatavam-se em soluços
os seus cabelos desfeitos.
(...)
O Rei
Dizei-me magos oragos
anões duendes profetas
adivinhos e jograis
sagas videntes poetas
como hei-de secar o pranto
daqueles olhos de rio
como hei-de calar os ais
daquela boca de estio
como hei-de quebrar o encanto
que numa tarde de pedra
talhada pela tristeza
selou com dedos de chumbo
o sorriso da princesa
que suspira pela neve
da ponta do fim do mundo.»
in SANTOS, Ary dos. - Tempo da Lenda das Amendoeiras. Lisboa, 1964.
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Apontamento sobre o Tempo da Lenda das Amendoeiras de Figueiredo Sobral. In SANTOS, Ary dos. - Vinte Anos de Poesia. Lisboa, Distri Editora - Sociedade Editora, 1983. |
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