O Ciúme

Arrebatado como era por natureza, Bocage desconhecia a moderação e exprimia os seus sentimentos dum modo exclusivo, apaixonado e violento.

O ciúme provocava-lhe uma tempestade enraivecida na qual se debatia com fúria, torturado por uma imaginação doentia que lhe instila o veneno da suspeita e lhe faz ver a mulher amada nos braços de um hipotético rival.

Daí irromper do mais profundo do seu Eu, delirando com o "negro, pestífero ciúme", arrancando da alma pavorosos gritos como na canção intitulada "O Delírio amoroso":

Gritemos, pois, frenéticos ciúmes,

Gritemos outra vez, que dos aflitos,

São triste refrigério os ais e os gritos.

O binómio amor/ciúme apresenta-se em muitas das composições do poeta lírico e sob o seu jugo o poeta revela-se impotente para resistir à força do seu destino infeliz, assumindo-se como profeta da desgraça, o vate predestinado pelo infortúnio.

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