Deus

Embora o seu comportamento nem sempre tenha sido o de um cristão, a sua crença em Deus nunca foi posta em dúvida. Várias são as composições que afirmam os seus encontros com Deus; "Tudo o que há, Deus a confessar me obriga", "Ah, castigai, Senhor, o mundo ingrato", entre outros, das quais Bocage consagrou algumas à Virgem Maria.

O soneto "Oh rei dos reis, oh árbitro do mundo", é geralmente considerado como um momento de confissão feita directamente a Deus, na qual o poeta confirma a omnipotência de Deus e reconhece ser um escravo de paixões das quais só Deus o pode livrar.

O seu sentido cristão revela-se com a aproximação da morte, que o faz pensar e reconciliar com todos aqueles de quem tinha sido inimigo, por exemplo José Agostinho de Macedo. E surge assim o soneto reconciliador:

Musa de Elmano e musa de Belmiro;

Una-se a glória sua à glória minha.

Mas onde o sentido cristão confessional atinge o seu máximo de densidade emocional é talvez nos sonetos "Meu ser evaporei na lida insana" e "Já Bocage não sou!", este último, ditado já quando Bocage se encontrava moribundo, e nos quais as desgraças da sua vida são praticamente encaradas como consequências dum destino trágico ao qual só Deus pode pôr um fim redentor.

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