Esther de Lemos
"Ironia de um destino infeliz que se prolongou para além da morte, Bocage é hoje ainda para o rural analfabeto da mais remota aldeia, para o garoto precoce das ruas, para a regateira dos mercados de Lisboa, apenas um grande farçola, descarado e vadio, que dava respostas a tempo e tratava as coisas pelo nome.
Se Bocage soubesse que o seu nome assina hoje tanta piada insulta e ordinária riria talvez - ele que em tantas vezes soube rir de si mesmo - riria com aquele riso de imortalidade que já antevia, ao sentir-se resvalar na decadência do fim."
[ CITI ]