A Morte

A solidão e a morte foram dois dos fiéis companheiros do artista no seu percurso para uma nova estética. A ideia da morte é-lhe completamente obsessiva, atravessando grande parte da sua obra de poeta lírico, resultando ou numa profunda angústia, inquietação e pavor face a um regresso do Nada, ou numa serena confiança na vida eterna.

Ave da morte, que piando agoiros

Tinges meus ares de funéreo luto!

Ave da morte (que em teus ais a escuto)

Meus dias murcharás, mas não meus loiros.

O poeta oscila entre a imagem depressiva da sepultura e a de uma paz definitiva e libertadora que o túmulo lhe oferece. Nuns poemas representa a Morte como um monstro invencível que tudo absorve e nada respeita "Negra fera que a tudo as garras lanças (...)" enquanto que noutros poemas, pelo contrário, encara a Morte quase que como um sentimento de amor, como esperança redentora no seu poder:

Poder vem perto, que te mude a sorte:

Lá tens o teu regresso... E nisto aponta,

Olho rapidamente, e vejo a Morte.

Será que Bocage julgou conseguir na morte a redenção e a verdadeira paz que nunca conseguiu em vida?

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