O neo-classicista

Quando alguns críticos designam por poeta do "regime diurno" o Bocage neoclássico, referem-se por essa designação à sua preferência pelos símbolos da luz e do poder nomeadamente ao uso de uma natureza colorida e esplendorosa (Primavera e Verão), alegre e suave ("locus amoenus"); ao domínio da Razão; ao uso da mitologia pagã; e à imitação dos clássicos greco-latinos. Tome-se por exemplo:

A loira Filis na estação das flores,

Comigo passeou por este prado

Mil vezes; por sinal, trazia ao lado

As Graças, os Prazeres e os Amores.

Em tudo o que exprime a clara ordem exigida pela razão Bocage segue as regras do classicismo e no sentido do uso da melhor palavra na melhor ordem, os críticos concordam que talvez nenhum outro poeta o tenha ultrapassado.

Em nítida marca do classicismo o poeta sujeita o tumulto dos conteúdos emotivos às estruturas da frase e à harmonia do ritmo da forma clássica. A marca de Camões, se é notória em inúmeros poetas do século XVIII, é-o singularmente em Bocage.

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