Prisão

A prisão de Bocage pela polícia do intendente Pina Manique vem dar razão a todos os recatados burgueses que o acusavam de pecados diversos que incluíam destemperos contra o clero e crítica dos órgãos sociais da época.

Bocage foi detido a 7 de Agosto de 1797 e para a sua sensibilidade de excessos esta prisão foi uma antecipação da sombra tumular. Enamorado da "liberdade, filha do céu, mãe de prazeres", a cada passo revoltado contra tudo o que não fossem os impulsos do amor e do seu próprio Eu dois dos principais temas da sua obra poética, compreende-se que asfixiasse entre as paredes do calabouço.

Aqui onde, arquejando, estou curvado

À lei, pesada lei, quem me agrilhoa,

De lúgubres ideias se povoa

Meu triste pensamento horrorizado

Naqueles momentos de dor a morte surge-lhe como a libertação da sua triste condenação.

Poder vem perto que te mude a sorte;

Lá tens o teu regresso. E nisto, aponta:

Olho rapidamente e vejo a Morte.

Aspecto da prisão do Limoeiro, onde Bocage cumpriu pena.

   

Mas Bocage tem então apenas 32 anos e a sua mocidade não pode deixar de reagir contra aquele pesadelo horrível; nesses momentos de optimismo cria versos eróticos, luminosos e harmoniosos ou expande-se em revolta contra a sua situação.

Valem-lhe os amigos que o socorrem e consegue ser despronunciado de delito contra o Estado, sendo entregue à Inquisição por erro religioso. Permanece alguns anos numa espécie de cura espiritual no Oratório, donde sai regenerado mas profundamente debilitado.

 

[ CITI ]