Temas
Em poucos poetas a obra reflecte tão nitidamente o modo de vida que seguiram como sucede com Bocage.
Assim, os temas que perpassam pelos seus poemas: o Amor, o Ciúme, a Morte, Deus, a Liberdade, o seu próprio Eu, a Crítica (pessoal e social) e o Destino resumem as vertentes da sua própria vivência e da sua própria indisciplina moral e inadaptação social e constituem na sua obra as principais marcas do poeta pré-romântico.
Todos estes temas se interligam num conjunto maior todo ele conotado com um fortíssimo sentido de fatalismo característico dos seus sentimentos pessoais, um turbilhão de aspirações vagas e indefinidas que o fizeram oscilar entre situações extremas: o conflito entre o racionalismo e a fé católica; o conflito entre os seus instintos boémios e o seu ideal moral; e finalmente, o conflito entre a estética do arcadismo e o seu temperamento profundamente romântico.
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Este temperamento transparece em inúmeros emblemas fúnebres tipicamente românticos: o luar, florestas sombrias, mochos que piam, feiticeiras, ciprestes, tochas, túmulos... Oh Trevas, que enlutais a natureza, Longos Ciprestes desta selva anosa, Mochos de voz sinistra e lamentosa, E depois, a noite, "Noite, medida da morte", a noite "câmara de meditação do universo". Ainda outra obsessão temática de Bocage são todos os lugares horríveis da Terra: o cárcere, o inferno, os antros, os abismos, que parecem atraír o poeta com uma força irresistível. Se, por um lado, o poeta testemunhou experiências vividas por si próprio: Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado, por outro, demonstrou um prazer sádico em ambientar com imaginados exteriores horrendos, os igualmente horrendos conflitos que lhe iam na alma: Aqui, onde, arquejando, estou curvado Á lei, pesada lei, que me agrilhoa, De lúgubres ideias se povoa Meu triste pensamento horrorizado. |
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