Bocage Tradutor
Para além da sua obra poética Bocage também se dedicou a inúmeras traduções, especialmente durante os anos que passou na prisão encerrado no Oratório, aproveitando a rica biblioteca dos Oratorianos.
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Frontispício da tradução da Galatea (Lisboa, 1802) |
A tradução teve grande importância na época no nosso país, tanto na reeducação do gosto literário como, sobretudo, na própria criação literária, contribuindo para o desenvolvimento de inúmeros géneros e permitindo o enriquecimento da linguagem literária através da importação de novas palavras e da assimilação das principais características de estilo de outras literaturas possibilitando ainda o contacto com a mentalidade de outras culturas, especialmente a francesa, da qual se recebem múltiplas influências. Da extensa obra de Bocage tradutor merecem referência entre outras as traduções de autores clássicos, como por exemplo, os "Fastos" de Ovídio, a "Farsália" de Luciano, "Jerusalém Libertada" de Tasso e ainda as traduções de autores franceses: "Paulo e Virgínia" de Bernadim de St.Pierre, "O Consórcio das Flores" de Delacroix, a "Henríada" de Voltaire, etc. |
Rosto da novela Raimundo e Mariana, traduzida por Bocage (Lisboa, 1819) |
Estas traduções de Bocage demonstram quer as suas grandes disponibilidades de expressão verbal quer as suas próprias predilecções, por exemplo, uma certa visão trágica do amor (em Ovídio e em Tasso) e o sentimento da natureza a que o poeta pré-romântico se vai entregar.
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