Cesário Verde

O mais pequeno e simples, trivial e despercebido, passando pelos olhos de Cesário, torna-se grandioso e complexo, especial e observado, objecto de reflexão e fonte de inspiração. Cesário Verde conseguiu dar expressão poética à realidade objectiva e quotidiana. Na sua obra, ganham beleza e sentido o cabaz da hortaliça, os frutos, a madeira das árvores, os instrumentos de trabalho dos carpinteiros, as ruas de Lisboa, as vitrinas das lojas, as manhãs atarefadas e as noites alumiadas a candeeiros a gás. Tudo isto é tratado de uma forma impressionantemente exacta, numa linguagem simples, coerente e comum.

É esta a herança que Eugénio de Andrade tem de Cesário. Aliás, como ele próprio esclarece numa entrevista concedida ao jornal "PÚBLICO" não é propriamente herdeiro de Cesário e de Pessanha, mas sim devedor: "Se o fosse (herdeiro) não seria pequena a herança. Eu não diria herdeiro, não sou tão orgulhoso: sou-lhes devedor. Em português, eles são o meu pão e o meu vinho."

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