Poesia Elementar

Quando se analisa a poesia de Eugénio de Andrade vemos claramente que esta nos remete para o paraíso terreno; não é uma poesia erótica mas "passeia-se pelos sentidos": de facto, a feição mais permanente na poesia de Eugénio de Andrade é a ideia de "paraíso terrestre", "a emanação do desejo, perceptível à simples transparência dos ritmos frásicos orais, das conotações de um léxico severamente escolhido e sobre o qual opera um permanente movimento de metáfora", os 4 Elementos ("Terra, densa com os seus frutos e corpos; Água, fluvial ou marinha; Ar, ou tudo o que é volátil; e Fogo, ou ardor"), e as 4 Estações (o Abril primaveril e "a sua luz pura de adolescente", o Verão, Outono dourado e o Inverno (menos frequentemente).

O conjunto da sua obra constitiu a consumação de uma espécie de "imagismo" português: "Sem perder o pé neste mundo de referências materiais, sem omitir o seu próprio testemunho das violências a que assistiu, sem deixar de ter corpo, sentidos e raízes sociais (…), Eugénio de Andrade é, a par de Pessanha, o poeta português mais próximo de poesia-música, numa linguagem serrada sobre si e inesgotável a qualquer paráfrase interpretativa."

A sua poesia, a que é normalmente excluída qualquer implicação política, pode ser considerada "de esquerda", na medida em que retrata a vida livre de todas as regras impostas pela lei, pela sociedade, pela família ou tradição: "A esquerda à qual eu pertenço tentará sempre aniquilar qualquer forma de repressão (...), distribuirá com justiça não só riqueza mas também a verdade e o poder."

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