O Amor
Para Florbela, amar é um gesto mágico: é uma experiência única, é a força motriz da sua alma, e por isso quer amar, amar perdidamente. É através de sucessivos enamoramentos que Florbela chega à inspiração, compensando com o amor a progressiva deterioração intelectual que a atinge nos últimos anos de vida. A sua obra mostra toda uma ampla gama de estados emocionais ligados ao amor, desde a exaltação dos sentidos (entrega por inteiro), até ao desejo de sacrifícios, oscilando entre momentos de plenitude e de grande fragilidade emocional, decorrentes de relações amorosas frustradas ou que não a preencheram. Aliás, não consegue encontrar satisfação no amor, daí que, de momentos de ternura, Florbela tenda repentinamente para outros de desencontro e sofrimento. Em Florbela, o amor é sempre um amor perdido, mesmo antes de ser encontrado; acarreta sucessivas desilusões, que ela procura compensar com um novo amor, que lhe traz novas desilusões. É um amor impossível, que só mostra mentiras e lhe traz desilusões, como mostra o soneto «Princesa Desalento».
Por vezes, o amor cruza-se com a temática da morte, de modo quase obsessivo, sobretudo em poemas de «Trocando Olhares», como «Cemitérios» ou «Noite Trágica».
Por outro lado, encontramos em Florbela o aparecimento de um forte sentimento religioso, evidente em «A Voz de Deus», que, em poemas como «Idílio» parece consagrar a relação amorosa, como se houvesse uma empatia, uma aprovação divina em relação a esse amor. O amor passa, então, a revestir-se de uma certa aura de religiosidade.
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