A ânsia de infinito, de algo inalcançável, é um elemento constante nos versos de Florbela. A cada expressão de angústia, de frustração, de desencontro, Florbela faz um novo esforço rumo ao infinito. Mas o que é esse infinito? Provavelmente, o amor, pois é para o infinito que ela transfere a falta de amor que sente. Possivelmente, conota esse infinito igualmente com a vida ou a morte, ou talvez ainda com a arte.
Em virtude do seu temperamento singular, sofre a solidão de forma muito própria, precisamente porque não consegue alcançar o que tanto deseja e acha seu de direito: o infinito, cruzado frequentemente com a tendência para a evasão. Florbela quer sempre mais, o que a impossibilitou de viver como os outros, predispondo-a, em contrapartida, para a arte. Segundo Ana Marques Gastão, trata-se de uma ânsia característica dos místicos, dos filósofos e de alguns criadores (Ana Marques Gastão, «Cem anos: sonetos fora de época»), que é acompanhada por cepticismo, desilusão e revolta. Mas, ninguém o traduziu tão bem como a própria Florbela, nas suas próprias palavras.
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