Uma das maiores poetisas de língua portuguesa, Florbela Espanca, dividiu a sua curta, mas admirável obra, entre poesia e prosa, completando uma produção escrita de extraordinária beleza, que evidencia a sua singularidade, como poetisa e como pessoa.
Mulher de temperamento único e escritora de sensibilidade muito rara, criou um universo temático próprio, alvo de críticas, e uma estética independente face a outros escritores e poetas. Contudo, é visível o cruzamento de diversas influências literárias, bem como uma grande capacidade de sintetizar o sentir dos poetas, como nos mostra em «Ser Poeta».
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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! |
É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! |
(Florbela Espanca, «Ser Poeta», in «Charneca em Flor»)
Autoria: Pedro Miguel Alvito Grencho
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