A crítica

Em virtude da singularidade do seu temperamento, da maneira como tentou ultrapassar a sua condição feminina e das dúvidas acerca da relação com o seu irmão, talvez mais do que por causa do erotismo que atravessa a sua obra, Florbela foi alvo das críticas dos seus contemporâneos. Talvez daí tenham derivado as alterações que todos os seus manuscritos sofreram, antes de serem publicados: palavras e versos inteiros foram emendados e, só nos anos 80, seriam publicados como a poetisa os escreveu.

A reacção negativa que provocou na sociedade, ao tempo, é demonstrada pela crítica de José Augusto Alegria. No entanto, ainda hoje, a obra de Florbela não recolhe a aprovação generalizada. Natália Correia é um bom exemplo, a par de Agustina Bessa Luís, que comenta brevemente: o bom gosto inibe-a (…) estraga uma boa parte dos seus versos (Agustina Bessa Luís, «A Vida e a Obra de Florbela Espanca»).

Ainda assim, são muitos os que hoje, como também no período seguinte ao desaparecimento da poetisa, reconheceram o seu valor e mérito, dentro do mundo das letras portuguesas. Para além de Guido Battelli, destaque para Emília de Sousa Costa, Jorge de Sena, José Régio, Vitorino Nemésio e Rui Ramos. Além disso, Florbela foi alvo de diversas homenagens.

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