Influências literárias

Na opinião de António José Saraiva e Oscar Lopes, Florbela Espanca é uma das mais notáveis personalidades literárias isoladas (António José Saraiva e Óscar Lopes, «História da Literatura Portuguesa»). Porquê?

Em primeiro lugar, porque a poética e a prosa de Florbela dificilmente se enquadram numa única corrente literária, seja uma corrente dominante no seu tempo ou anterior. De facto, a poetisa soube construir uma linguagem muito própria, quase uma mitologia lírica (António José Saraiva e Óscar Lopes, «História da Literatura Portuguesa»), ao revelar, no espaço da poesia, sentimentos e desejos próprios, anseios e aspirações muito suas, conquistando na literatura um espaço de libertação de instintos sensuais, sem precedentes até então; sobretudo, revelou, através da linguagem poética o seu ser e a sua intimidade.

No entanto, são evidentes em Florbela os traços e as influências de diversas correntes literárias que atravessaram o século XIX, apesar de acusar igualmente proximidades a estéticas do século XX. Diga-se, a propósito, que grande parte da singularidade da obra de Florbela reside no facto de a sua estética literária se enraizar no cruzamento de várias tendências do lirismo do século passado: Florbela admirava Júlio Dantas, Guerra Junqueiro, Antero de Figueiredo, José Duro e, sobretudo, António Nobre. Foi nesse universo artístico, que tentou conciliar a renovação com a tradição poética, que Florbela encontrou elementos para definir a sua linguagem.

Entre as principais influências, há a destacar:

Epígrafes a Eugénio de Castro e Verlaine, Maeterlinck e Ruben Dario

Antero de Quental

António Nobre

Neo-romantismo

Ultra-romantismo sepulcral, próximo de Soares de Passos

Pessimismo

Parnasianismo

Simbolismo - decadentismo

Mário de Sá-Carneiro

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