Influência de António Nobre

São muitos os pontos de contacto entre António Nobre, o autor de «Só» (apresentado, ainda hoje, como o livro mais triste que há em Portugal) e Florbela Espanca, que confessa ter pelo escritor intensa admiração, referindo-se, implicitamente, a «Só» na abertura do «Livro de Mágoas» e, depois, explicitamente, na languidez do soneto «Tardes da Minha Terra». Aliás, Nobre era para a jovem escritora o único poeta.

Um desses pontos comuns é o tom confessional dos versos, intimamente ligado à temática da dor, da mágoa que encontramos nas obras dos dois autores; mais do que a mágoa, Florbela, no soneto «Este Livro...», que abre o «Livro de Mágoas», como que propõe um espaço de comunicação entre os tristes, a que ela chama os Irmãos na Dor. É uma intenção próxima da de Nobre em «Só».

Por outro lado, também o pessimismo e a espera da morte, bem como a ideia da predestinação, recorrente em Florbela, aproximam as suas obras, em paralelo com a temática da saudade e um certo neogarretismo, ambos típicos de Nobre.

Comum aos dois autores é, igualmente, a relação que encetam com a vida, a par de um progressivo distanciamento que ambos efectuam em relação ao mundo que os rodeia, o que fará agravar a sua solidão.

Finalmente, há que sublinhar a proximidade na maneira de ver Portugal: ou é um país ou uma forma de estar no mundo (dada a cultura e história portuguesas); ao mesmo tempo, refira-se um certo lusitanismo de Nobre, que Florbela também evidencia e que a aproxima do ideário saudosista do seu tempo.

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