José Augusto Alegria
A propósito da edificação de um busto de Florbela em Évora, que lançaria a polémica na cidade durante algum tempo, José Augusto Alegria publica, através do Centro de Estudos de Évora, um manifesto intitulado «Processo de Uma Causa», no qual critica duramente a poetisa e a ousadia da sua obra. Reflectindo o escândalo causado na sociedade portuguesa, bastante fechada e reaccionária ao tempo, pelo erotismo apurado de alguns versos e a vida conturbada que Florbela levou, Augusto Alegria opõe-se veementemente à edificação do busto, argumentando que a obra da poetisa é um escândalo, e aproveitando para dedicar o seu livro às mães e filhas de todos aqueles para quem este livro não for um escândalo. Referindo-se aos sonetos de Florbela, considera-os trespassados dum erotismo monocórdico que é contrário às estruturas sadias de qualquer sociedade cristã. Numa crítica que mais parece visar a vida de Florbela, corajosamente diferente da que a maioria das mulheres levavam no seu tempo, Alegria considera que, apesar da qualidade da sua obra, endeusá-la só porque conseguiu ser mais imprudente do que nenhuma outra poetisa é outra ordem de ideias. (José Augusto Alegria, «Processo de Uma Causa», in «A Flor da Charneca»).
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