A marca da infância

Em função das circunstâncias que rodearam o seu nascimento, a infância de Florbela não se afigura como muito feliz e, de facto, é duvidoso que o tenha sido (julgando talvez demais pelos padrões que hoje reconhecemos).

A relação com o pai marca a atitude de Florbela durante toda a vida; o seu «donjuanismo» é, inevitavelmente, herdado dele, bem como o génio irascível, que faz do seu pai um homem pleno de predisposição para se envolver em sucessivas aventuras amorosas, mas muito moralista quando rejeita os três casamentos da filha. Recusa-se a perfilhar os filhos e espera deles obediência total.

Por outro lado, a imagem ausente da Mãe ajuda a debilitar o desenvolvimento afectivo de Florbela, empurrando-a para um permanente desejo de evasão da realidade. É a falta do laço materno que faz com que Florbela deseje sempre mais, porque se sente abandonada, tem um grave complexo de abandono.

Assim, a infância de Florbela é algo pobre em afecto, sobretudo da parte do pai e da verdadeira Mãe, o que faz com que muitos dos seus versos reflictam a ligação à infância. É através deles que Florbela tenta compensar a pobreza de vivências da infância, que acaba por criar uma ligação que ela não consegue superar e que prejudica o seu desenvolvimento adulto.

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