Modas e Bordados

A «Modas e Bordados» era uma revista que integrava o diário «O Século», essencialmente direccionada para as mulheres das classes média e alta da sociedade portuguesa. Como várias outras poetisas do seu tempo, Florbela foi colaboradora assídua da revista.

É a «Modas e Bordados» que dá a conhecer a poetisa que há em Florbela, quando, em Março de 1916, publica o soneto «Crisântemos», o seu primeiro poema publicado pela imprensa. A partir daí, Florbela colabora frequentemente com a revista, oferecendo sonetos para publicação. Logo no mês seguinte, são publicados dois conjuntos de quadras, intituladas «Cantando…», e, em Agosto, «Rosas» e «O Teu Olhar».

Mas, veiculando uma imagem tradicional da mulher, a «Modas e Bordados» não se opunha totalmente à nova condição feminina que Florbela desejava? É certo que a mulher surgia, na maioria das vezes, no papel de dona de casa, mãe ou esposa, mas também é verdade que apresentava as mulheres de modo glamoroso e chique: Belas, elegantes, sorridentes e pouco ocupadas com as tarefas domésticas (Maria de Lurdes Horta, «Florbela Espanca e a poesia feminina no pré-modernismo em Portugal», in «Estudos Sobre Florbela Espanca»). Se por uma lado, a revista ensinava a bordar e dava conselhos para cativar o marido e educar os filhos, por outro, apresentava diversas crónicas, contos, pensamentos e versos de várias poetisas.

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