Nascimento atribulado

Desde o seu nascimento, a infância de Florbela rodeou-se de circunstâncias invulgares. Uma vez casado com Marina Inglesa, em 1887, João Maria Espanca, o pai de Florbela, continua a trabalha como sapateiro e antiquário, tornando-se mais tarde num dos pioneiros do cinematógrafo em Portugal. Ao descobrir que Mariana não pode dar à luz, João Maria consegue convencê-la de uma regra medieval, segundo a qual, quando a mulher não pode ter filhos, o homem está autorizado a cometer adultério, de modo a ter, através de outra mulher os filhos que a esposa não lhe pode dar, filhos esses que depois traria para o lar. Com o consentimento de Marina, em 1894, João Maria procura Antónia Lobo, uma mulher humilde, vistosa e desejada na vila, que trabalhava como criada de servir, raptando-a uma noite para a engravidar e mantendo-a escondida durante toda a gravidez. Finalmente, a 8 de Dezembro, Florbela nasce e é baptizada como Flor Bela Lobo, filha de Antónia e de pai incógnito; a madrinha é Mariana, que depois levará Florbela para casa e a tratará como filha. É a casa de Mariana e João Maria Espanca que a Mãe de Florbela se vai dirigir para a amamentar.

Agustina Bessa Luís, ironicamente, comenta: Os Espanca são gente suspeita e original(…) de censura moral, ninguém possuirá grandes reservas (Agustina Bessa Luís, «A Vida e a Obra de Florbela Espanca»).

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