Natália Correia

De entre os escritores contemporâneos que estudaram a vida e a obra de Florbela, a malograda poetisa, dramaturga e deputada Natália Correia tece uma das mais violentas críticas em relação à poetisa alentejana. Conhecida pela sua actividade reivindicativa em defesa dos direitos da mulher, depois do 25 de Abril, Natália Correia critica a alienação que Florbela evidenciou em relação a essa luta, sobretudo porque era dotada de potencialidades intelectuais e de um talento assinalável. No dizer de Natália, Florbela demonstrava uma feminilidade estreme, acompanhada de um coquetismo patético, chegando mesmo a acusá-la de diletantismo intelectual. Considerando-a insensível às rupturas engendradas pelas crises do discurso lógico masculino, Natália conclui que se tratou de uma diva do simbolizante, dona de uma poesia maquilhada com langores de estrela de cinema mudo. Carregada de pó-de-arroz.

Por outro prisma, Natália Correia, analisa a importância do ambiente nocturno na poesia de Florbela: A dualidade sedução - castidade é demasiadamente flagrante na poesia de Florbela para que não se reforce este enfoque da sua insaciabilidade nocturna; o regime lunar que regula a alternância das inclinações descendentes e ascendentes do seu temperamento. A título de exemplo, recorre ao verso de Florbela: E a noite sou eu própria! A noite escura. (Natália Correia, prefácio do «Diário do Último Ano»).

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