Uma obra especial

A razão de chamar ao soneto «uma obra especial» deve-se ao facto de que, nele, o poeta consegue uma admirável variedade (Álvaro Manuel Machado, «Dicionário de Literatura Portuguesa»). Além disso, dada a sua estrutura fixa, o soneto exige, frequentemente, um exercício de engenho por parte do escritor, dando, por vezes, origem a outras formas literárias tradicionais, como o vilancete.

Por outro lado, a estrutura do soneto permite escrever num modelo de tese e antítese, seguidas de uma conclusão, expressa no último terceto ou no último verso desse terceto, a chamada «chave-de-ouro».

Mais a mais, o soneto obriga a uma determinada concentração emocional, dada a sua forma breve, o que justifica a sua escolha por poetas como Nobre ou Florbela Espanca. Para Agustina Bessa Luís, a força emotiva do soneto está na suspensão que prolonga o sentimento (…) a composição perfeita do sentimento (Agustina Bessa Luís, «A Vida e a Obra de Florbela Espanca»).

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