A relação com o pai
A relação de Florbela com o pai reveste-se, na realidade, de contornos algo estranhos. Trata-se de uma relação de total cumplicidade: Florbela aceita e desculpa todas as atitudes do pai, que fará o oposto aquando do segundo divórcio da poetisa, depois do qual decide cortar relações com ela durante dois anos. Ao pai, Florbela desculpa até os constantes devaneios amorosos, nomeadamente o relacionamento adúltero com Henriqueta de Almeida, sua empregada, que durará mais de quinze anos, pelo que a relação dos dois acaba por ganhar um certo contorno de impudor.
A constante predisposição amorosa do pai, que leva aos seus vários envolvimentos com mulheres fora do casamento, é o que Florbela mais admira nele, pois é uma prova de independência face às convenções sociais. É do pai que Florbela herda a faceta «donjuanista», que a sua poesia revela.
No entanto, a sua relação com o pai é uma ligação falhada, que vai perturbar toda a adaptação de Florbela à vida de adulta.
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