O tempo

Florbela é, se dúvida, uma poetisa do tempo. Mas, que tempo? Acima de tudo, é uma poetisa do tempo que passa, que foge sem deixar rasto e que, por isso, é preciso aproveitar a cada instante. Sobretudo quando se trata de instantes felizes, Florbela sente a necessidade quase desesperada de lutar contra a fugacidade do tempo e da vida, que a vai afastando da sua infância e da mocidade, ameaçada pela velhice, e da imagem elegante e plena de vida que, então, a caracterizava. Aliás, esta fugacidade do tempo é uma das características simbolistas da sua poesia, bem evidentes no soneto «Hora que Passa».

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