A vida boémia

Quando, em Setembro de 1917, Florbela vem para Lisboa, acompanhada pelo marido, para estudar Direito, a jovem poetisa desperta para a vida boémia levada pelos novos ricos, tirando, desse modo, algum partido das pequenas liberdades que começavam a ser reconhecidas às mulheres de então. Simultaneamente, consegue penetrar em alguns círculos literários, passando a integrar-se numa aura literária característica da época. Ao invés de cruel, um lado que manifestava, principalmente, no casamento ou entre a família, ou triste e só, como se retrata na poesia, Florbela mostra-se delicada, sensível, elegante e atraente. Atraída pelo cosmopolitismo da grande cidade, Florbela consegue contactar com a vida artística e cultural lisboeta e, durante o primeiro casamento, a sua vida passa a oscilar entre um estilo intelectual e um convencional; mas, a partir daí, caracteriza-a um certo snobismo e uma acentuada vaidade, que escondiam uma solidão só revelada na escrita.

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