Novo Cancioneiro

Colecção de poemas publicada em 1914 por um grupo de jovens poetas que, enquadrados no movimento do neo-Realismo, tentaram criar uma poesia de carácter social. Publicaram-se sucessivamente "Terra" (Fernando Namora), "Poemas" (Mário Dionísio), "Sol de Agosto" (João José Cochofel), "Aviso à Navegação" (Joaquim Namorado), "Os poemas de Álvaro Feijó" (pelo próprio), "Planície" (Manuel da Fonseca) - todos de 1941 - e "Turismo" (Carlos de Oliveira"), "Passagem de Nível" (Sidónio Muralha), "Ilha de Santo Nome" (Francisco José Tenreiro) - de 1942 - e "A Voz que escuta" (Políbio Gomes dos Santos).

Nenhum programa antecedeu a publicação dos 10 volumes da colecção, o que permitiu uma certa liberdade de estilo a estes poetas (que, no entanto, sofriam também influências de antecedores seus como Álvaro de Campo e Cesário Verde), mas o que também levou a que nunca se institucionalizasse como escola, seguindo o formalismo dos poetas de "Orpheu". Manuel da Fonseca, J.J.Cochofel e Políbio G. dos Santos foram talvez as vozes mais puramente poéticas do grupo, não demonstrando nos seus poemas voluntariedade ou rebusca.

Falhou como grupo, e os poetas acabaram por se dispersar por outras formas de literatura (F.Namora e M.da Fonseca para a prosa de ficção, C.Olveira para o romance, M.Dionísio para o ensaio e crítica de arte ), tendo a sua influência sido quase nula nos movimentos subsequentes, salvo alguns poetas isolados que, de ansiedades interiores fundidas com as preocupações do seu tempo, conseguiram opôr a sua poesia à forte influência do Modernismo.

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