Decadentismo

Corrente literária que se desenvolve principalmente depois de 1880 e se prolonga, em Portugal, até à década de 1920. A civilização desiludida, cansada do tédio e do ocaso, busca novas e mais intensas (até extravagantes) sensações, com um certo paralelismo com o Simbolismo e Impressionismo, produtos da mesma atmosfera sócio-cultural. Já em poetas como Guilherme de Azevedo ("A Alma Nova"), Gomes Leal, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, influenciados por Baudelaire, se descobre esta tendência.

"O artista decadente sucumbia à sedução do antivital por sentir exauta a força criadora; evadia-se para o mundo da imaginação sensual, entretinha a nevrose com fantasias deliquescentes e preciosismos fúteis". Outros poetas importantes de características decadentistas foram, entre outros, Osório de Castro, Raul Brandão, Eugénio de Castro, José de Lacerda, D.João de Castro, Fialho de Almeida, João Rocha, Henrique de Vasconcelos, Visconde de Vila-Moura, Carlos Parreira, António Patrício, Aquilino Ribeiro, Judith Teixeira, Luís de Montalvor e os próprios Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. As desilusões da vida política portuguesa, já nos últimos tempos da Monarquia e ainda nos primeiros anos da república, contribuiram para o pessimismo em que o decadentismo desabrocha. Como afirmou Montalvor em 1916 ("Tentativa de um ensaio sobre a Decadência") : "Somos os descendentes do séc. da decadência. Vamos esculpindo a nossa arte na nossa indiferença. A vida não vale pelo que é, mas pelo que dói...Só a Beleza nos interessa...Se nos apelidamos ou nos apelidaram de decadentes, é porque temos um sentido próprio de decadência..."

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