Geração de 70
Paralelamente a melhorias significativas no País, o Fontismo/Regeneração começou a gerar grandes dicotomias entre as classes inferiores e superiores: dívidas com o estrangeiro (para pagar as infraestruturas), que pioram a situação económica (no fim da Regeneração o País estava na falência); falseamento das instituições, astúcia dos políticos e fraude - corrupção do poder político; predomínio da mentalidade rural sobre a urbana (a indústria moderna não surgia, e a concorrência estrangeira derrubava a fraca indústria portuguesa. E também nos campos a situação era má, com o consequente aumento de emigração, sobretudo para o Brasil); e no campo literário, a falta de apoios e difíceis condições de vida dos escritores. Os escritores precisavam da protecção do Estado, e este oferecia importantes cargos no Governo em troca do "controlo da pena" - e daqui surge a chamada "literatura oficial".
É contra todas estas condições (que contrastavam com o avanço e modernismo do resto da Europa) que surge a Geração de 70, um grupo de estudantes universitários coimbrães que, por volta de 1865, se insurgem sobretudo contra o exagero caduco e balofo do gosto Ultra-Romântico, contra o monopólio de Castilho (Antero chamou inclusivé à sua escola a "Escola do Elogio Múltiplo", já que os seus membros passavam o tempo a elogiar-se mutuamente, para prestígio do grupo), e contra a triste realidade do País. Defendem uma maior abertura à cultura europeia, e uma reforma do País, sobretudo a nível cultural.
Denota-se no grupo influências do Idealismo (laivos republicanos e socialistas) e uma influência francesa muito forte, de pendor anti-clerical (por obras como as "Origens do Cristianismo", de Renan), racionalista e positivista (Augusto Comte e Proudhon).
Destacam-se como membros principais Antero de Quental, Teófilo Braga, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro.
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