Leitão de Barros

José Júlio Marques Leitão de Barros nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1896. Depois de frequentar a Faculdade de Ciências e de Letras, e concluir o curso na Escola Normal Superior de Lisboa, foi professor do ensino secundário. Tirou também o curso da Escola de Belas-Artes, tendo inúmeros quadros expostos em museus portugueses e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid. Dramaturgo, as suas peças subiram à cena em Lisboa, no Teatro Nacional e noutras salas. Cenógrafo, responsabilizou-se pela montagem de muitas obras. Jornalista, colaborou, por exemplo, em "O Século", "A Capital", e "ABC". Fundou e dirigiu "Domingo Ilustrado", "Notícias Ilustrado", e "Século Ilustrado". Organizou em 1934 e 1935 os cortejos históricos das Festas da Cidade. Foi secretário-geral da Exposição do Mundo Português. Interessou-se também pelo cinema: "Malmequer" e "Mal de Espanha" (1918) foram os seus primeiros filmes, salientando-se neles duas tendências - a evocação histórico-plástica e a crónica anedótica. Com o documentário "Nazaré" (1927), desenvolve as linhas mestras do verismo, colhendo aspectos de rude beleza plástica e de aguda observação, tal como no filme "Lisboa, crónica anedótica de uma capital" (1930), em que misturou conhecidos actores com a gente da rua, antecipando assim muitas escolas modernas. No mesmo ano rodou na Nazaré "Maria do Mar", e mais tarde, o primeiro filme sonoro português, "A Severa". Foi o principal animador da construção dos estúdios da Tobis, concluídos em 1933. "Ala Arriba" (1942), escrito por Alfredo Cortês, apresentava os pescadores da Póvoa do Varzim com uma força dramática e plástica pouco vulgares. A Bienal de Veneza deu-lhe um dos seus prémios.

Para além das obras citadas, publicou "Elementos de História de Arte"; e os "Corvos" (crónicas publicadas no Diário de Notícias, compiladas em livro); e produziu outros filmes como "As Pupilas do Sr.Reitor (1935), "Bocage e Maria Papoila" (1935); "A Varanda dos Rouxinóis" (1939), "Inês de Castro" (1944), "Camões" (1946), "Vendaval Maravilhoso" (1944); e ainda curtas metragens como "Lisboa e o problema dos seus acessos" (1945), "A última rainha de Portugal" (1950), "Relíquias Portuguesas do Brasil" (1959), "Comemorações henriquinas" (1961) e "Escolas portuguesas" (1962).

(Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 20 volumes, secretariado por MAGALHÃES, António Pereira; OLIVEIRA, Manuel Alves, 1ª ed., Lisboa, editorial Verbo, vol.3, 1973, p.729)

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