Modernismo
Movimento estético empreendido por Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro (que abandonam o Saudosismo de "Águia") e Almada Negreiros, em que a literatura surge em íntima relação com as artes plásticas : audaz (admitindo todas as aventuras estéticas, condenando a imitação e o preconceito ), requintada, expressiva (em oposição ao belo tradicional), humanista (incitando à plenitude individual), sobrerrealista (visão do Mundo como coisa absurda e sem suporte, sobretudo em M.Sá-Carneiro), com uma linguagem excêntrica, irónica, do "não-eu" (nova forma de poesia). Embora mantendo uma certa originalidade nacional, é influenciada pelas mais avançadas tendências da Europa. Com mais repercussões que o Simbolismo decadentista de 1980, este movimento já se antevia nalgumas obras da geração de Eça de Queirós, Antero, Carlos Mendes, Cesário Verde, Eugénio de Andrade e Camilo Pessanha, entre outros, embora só em 1913 se tivesse constituído o núcleo modernista (com o poema "Dispersão", de M.Sá-Carneiro - publicado na revista "Europa" e aplaudido por F.Pessoa - e o poema "Paúis", publicado no ano seguinte em "Renascença"). Almada Negreiros expunha as suas caricaturas, mas o grande empreendimento do grupo foi o lançamento da revista "Orpheu" Contrariamente ao Simbolismo e Saudosismo, foi um movimento essencialmente Lisboeta, apenas com algumas adesões em Coimbra (Albino de Meneses) e na província. A morte de M.Sá-Carneiro em 1916 veio abalar a união do grupo, que no entanto se continuou a manifestar em publicações individuais, e noutras revistas como "Exílio" (1916), "Centauro" (1916), "Portugal Futurista" (1917), "Contemporânea" e "Athena", com a participação de muitos outros artistas que aderiram ao movimento.
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