Neo-Realismo

Fruto da crise económica de 1929, e associada em Portugal ao movimento de resistência democrática e ditadura plutocrática, surge na década de 30 uma nova tendência para a literatura de crítica social, revalorizando a corrente literária do Realismo. Focando a realidade como a Geração de 70, critica-se no entanto o elitismo pedagógico de Antero de Quental (influência proudhoniana) e dos democratas da "Seara Nova" doa anos 20.

Manifesta-se a partir dos anos 30, ainda aliado a outras tendências (empirismo, agnosticismos, etc.), em revistas juvenis como "Outro Ritmo"(Porto, 1933), "Gleba" (Lx, 1934), "Gládio" (Lx, 1935), "Ágora" (Coimbra, 1935), "O Diabo" (1934-40), "Sol Nascente" (1937-40), "Altitude" (1939), "Síntese" (1939-40) e "Pensamento" (Porto, 1939-40). Também em revistas como "Seara Nova", "Presença", "Manifesto", "Portucale", se denota já a presença neo-realista, embora as primeiras obras significativas tenham surgido apenas nos inícios da 2ª Guerra Mundial : "Ilusão na Morte" (Afonso Ribeiro, 1938), "Sinfonia de Guerra" e "A Arte e Vida" (António Ramos de Almeida, 1939,1940), "Rosa dos Ventos" (Manuel da Fonseca, 1940), "Corsário" (Álvaro Feijó, 1940), "Cadernos Azuis" ( série de ensaios); "Novo Cancioneiro" (Coimbra, 1941-44, com poetas como Álvaro Feijó e Políbio Gomes), "Novos Prosadores" (complemento do "Novo Cancioneiro"), "Galo"(Coimbra,1948), e" Cancioneiro Geral" (Lisboa) - no âmbito da séries editoriais poéticas-, revista "Vértice" (1945), "Esteiros" (por alguns considerada a 1ª notável obra da corrente - Soeiro Pereira Gomes, 1941).

Se na sua fase inicial predominava o articulismo e a polémica da revista, a atenção deslocou-se posteriormente da poesia e do conto para o romance de teorização estética e ensaio histórico.

A mais importante corrente simultânea e alternativa ao neo-Realismo torna-se então o Surrealismo (em vez do Psicologismo Presencista), que passou a dominar no período conturbado da Guerra Fria, com o progressivo desencanto da literatura neo-realista, que já dificilmente se adequava às camadas por que pretendia interessar-se, e vice-versa.Os ficcionistas neo-realistas foram então adaptando-se aos gostos e público, e na década de 50 já o Neo-realismo convergia com certas vanguardas estéticas (Surrealismo, Existencialismo).

Dentro do movimento destacam-se nomes como Afonso Ribeiro, António Alves Redol, Sidónio Muralha, Armindo Rodrigues, Mário Dionísio, João José Cochofel, Joaquim Namorado, José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Fernando Monteiro de Castro Soromenho, Virgílio Ferreira (já na transição do neo-Realismo para o Existencialismo do decénio de 50).

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