Norton de Matos

"O general Norton de Matos, ex-docente universitário (no Instituto Superior Técnico), militante republicano (filiado no Partido Democrático), responsável militar durante a Primeira Guerra Mundial, responsável político (na "metrópole" e na "colónia" de Angola) em várias fases da I República, opositor exilado durante o período sidonista, embaixador de Portugal em Londres, grão-mestre da Maçonaria (entre 1930 e 1935), candidata-se (Julho-Outubro de 1948) às eleições para a presidência da República. Do seu programa político fazem parte, entre outros, os seguintes aspectos: intenção de assegurar a transição para uma democracia parlamentar, amnistia imediata de todos os presos políticos, encerramento da Colónia Penal do Tarrafal, abolição da censura, liberdade de organização política e sindical, liberdade de propaganda e difusão de ideias políticas e religiosas, manutenção da relação tutelar existente entre Portugal e os respectivos territórios coloniais.

A candidatura de Norton de Matos procura conseguir de Salazar (sem qualquer êxito) garantias de liberdade de propaganda, revisão do recenseamento eleitoral e fiscalização do sufrágio.

Apesar da idade avançada de Óscar Carmona e do seu envolvimento numa tentativa de derrube do Presidente do Conselho, a necessidade de preservar a unidade do bloco social e político-ideológico de apoio ao regime frente à candidatura prestigiada (e unificadora das diversas opiniões) de Norton de Matos, levam Oliveira Salazar e a UN a propor a "recandidatura" do velho marechal às "eleições" para a Presidência da República.

Em Fevereiro do ano seguinte, por não terem sido asseguradas condições mínimas de democraticidade, num comício em Lisboa, Norton de Matos anuncia a desistência da sua candidatura às "eleições" para a Presidência da República. Óscar Carmona é de novo "eleito" presidente da República.

(História de Portugal em datas, coordenado por RODRIGUES, António Simões, 1ªedição, s.l., Círculo de Leitores, 1994, pp. 347-348)

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