Romantismo

O adjectivo "Romantic" é de origem inglesa, e deriva do substantivo "romaunt", de origem francesa ("roman" ou "romant"), que designava os romances medievais de aventuras. Depois a palavra generalizou-se a tudo aquilo que evocava a atmosfera desses romances (cavalaria e Idade Média, em geral). No séc.XVIII Rousseau (filósofo da revolução francesa) distinguiu "Romantique" (romântico) de "Romanesque" (romance), e no séc.XIX Frederico Schlegel (alemão) e Madame de Stael (alemã casada com um francês) opunham "Romântico" e "Clássico". Já a etimologia do termo indigita o gosto das tradições medievais e cultura folclórica.

Surgiu primeiro na Inglaterra (1788 - 1832), depois na Alemanha (1790 - 1830 , com nomes como Schlegel, Novalis, Zacarias Werner, Hoffmann e os irmão Grimm), e França (1825 - 1850, na geração de Lamartine e Musset), e apesar das escolas realistas e naturalistas sucederem as românticas, há inúmeros autores que alargam o período do Romantismo até ao fim do séc.XIX, com a introdução do movimento Simbolista.

Em Portugal, a revolução na literatura é consequência da revolução política de 1832-34 (o romantismo português forma-se à luz dos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade - dimensão um pouco idealista). Almeida Garret publica em Paris (onde estava exilado, o que lhe permitiu o contacto com o Romantismo Europeu), em 1825, "Camões", e no ano seguinte "Dª Branca", mas estas obras só tiveram repercussões depois do regresso do emigrado. Daí delimitar-se mais habitualmente o início do Romantismo em Portugal com a publicação de "A Voz do Profeta", de Alexandre Herculano (1836), já nos moldes do novo gosto literário. Em 1837 inicia-se a publicação da 1ª revista romântica portuguesa, e surge um repertório dramático nacional, inspirado na teoria do drama romântico. Surgem também as primeiras obras: "Alfageme de Santarém", "Um Auto de Gil Vicente", "Eurico, o Presbítero", "Lendas e Narrativas", "O Monte de Cister", "Frei Luís de Sousa", etc. O êxito fulminante de Herculano e Garrett, e o esquecimento rápido e geral em que caíram os géneros clássicos , mostram como esta revolução era uma necessidade do público português. O jornalismo, nomeadamente com estes dois escritores, vive uma fase brilhante, com muita aderência do público leitor.

Ideologicamente, o Romantismo Português é antifeudal, mas procura limitar as consequências da revolução; é liberal, mas antidemocrático (opõe-se ao sufrágio nacional e favorece o regime censitário apropriado ao domínio político da nova burguesia rural). Herculano é um defensor dos monumentos nacionais e do cristianismo medieval, e Garrett, apesar de ser de esquerda (Setembrista), pertencia a uma facção moderada.

Como o público do romantismo não tem grande preparação literária, ignorando as convenções e padrões da literatura clássica (mitologia, história antiga, retórica, etc), e preferindo a expressão concreta imediatamente acessível das imagens e símbolos que dão corpo bem sensível ao pensamento (realismo descritivo), as principais características românticas, adaptadas ao seu público, são: estilo declamatório, por vezes redundante e um pouco vago, em que a abundância prejudica a concisão e o rigor; o gosto das hipérboles (aproximando-se do Barroco), das exclamações e imagens, que concretizam e popularizam; o uso de vocabulário mais rico em alusões concretas, menos selecto e mais correntio, familiar e sensorial; presença física das personagens humanas e das paisagens; o recurso ao romanesco. à peripécia que prende a imaginação; o tom de mensagem ao próximo das obras, convertidas em meios de comunicação e não já um mundo fechado de valores. Já nos autores pré-românticos (em Portugal, Bocage, Anastácio da Cunha, Marquesa de Alorna, etc) se encontravam estas características, mas não passavam de tendências coexistentes com a tradição clássica. O Romantismo declara-se no momento em que estas características se generalizam a tal ponto que põem em causa os alicerces do Classicismo.

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