Seara Nova

Revista essencialmete doutrinária e crítica, com fins pedagógicos e políticos, na qual a literatura deixou bem presente a sua função social. Os homens da Seara Nova seriam, segundo um texto do 1º número, "poetas militantes, críticos militantes, economistas e pedagogos militantes", o que contribuiria também para quebrar o isolamento dos homens de elite, aproximando-os da realidade social.

Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Câmara Reis, Jaime Cortesão, Augusto Casimiro e Raul Proença (os três últimos já haviam pertencido à "A Águia", que não satisfez, no entanto, o seu desejo de intervenção social) foram alguns dos fundadores, sendo talvez este último o que mais se destacou, pela sua forte e ousada intervenção no campo político, educativo, e da literatura. Foi também este escritor que trouxe António Sérgio para o grupo, onde este pôde desenvolver a sua notável acção pedagógica e cultural, tendo um papel fundamental no combate da tendência literária para o "vago, nebuloso, torre de marfim", através da organização de uma ciência da crítica literária mais racional, que seria continuada nas obras de Castelo Branco Chaves e Agostinho da Silva.

Apesar de diversas divergências e cisões (de Jaime Cortesão e António Sérgio, por ex.), a revista desenvolveu um importante e significativo trabalho (sobretudo do ponto de vista pedagógico e cultural, com Câmara Reys, e posteriormente Augusto Casimiro - 1961 -, Rogério Fernandes - 1967 -, e Augusto Abelaira - dois anos mais tarde - na direcção), de onde se destacam nomes como Teixeira Gomes, Afonso Duarte, Hernâni Cidade, Joaquim de Carvalho, João de Barros - escritores e poetas já conhecidos - Irene Lisboa, Manuel Mendes, José Rodrigues Miguéis, José Bacelar, Álvaro Salema, Lobo Vilela, Santana Dionísio, José Gomes Ferreira, Casais Monteiro, Mário Dionísio e Jorge de Sena - de entre os que se tornaram conhecidos no desenvolver do trabalho de "Seara Nova".

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