Ultra-romantismo

Teófilo Braga afirmara: "A representação exclusiva da Idade média, à falta de objectividade, levou ao exagero da frase, à ênfase retórica, produzindo um estilo chamado o Ultra-Romantismo". Tornou-se então habitual classificar de ultra-românticos os poetas surgidos na literatura depois de 1838: Maria Browne, Alexandre Braga, José da Silva Mendes Leal, seu irmão António Joaquim Teodorico Mendes Leal, Camilo Castelo Branco, Soares de Passo, João de Lemos, Luís Augusto Palmeirim, Gomes de Amorim, Bulhão Pato, Tomás Ribeiro, A.X.Rodrigues Cordeiro, Joaquim Pinto Ribeiro, Francisco Palha, Augusto Luso da Silva, J.S.da Silva Ferraz, Ernesto Pinto de Almeida, etc, embora se possam já encontrar certos aspectos ultra-românticos (ingredientes terríficos, folhetinescos, convencionais, e oratória de melodrama, convencional também) nas obras de Garrett e Herculano. O período ultra-romântico iria até 1865, data da "Questão Coimbrã".

Embora os escritores ultra-românticos apresentem muitas das características dos autores românticos, diferem em certos aspectos deles: livres para gozar o prazer da aventura no mundo da imaginação e da anarquia, acabam tomando atitudes extremas. Subvertem pelo exagero, sentimentalismo patético, sobretudo os discípulos de Castilho (como Camilo Castelo Branco).

(Dicionário da Literatura, 5 volumes, COELHO, Jacinto do Prado (dir.lit), 3ª edição, Porto, Figueirinhas, volume 4, 1982, pp.1124-1126)

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