Crença religiosa

Pode-se falar numa posição dúbia por parte de Antero, na medida em que, se por um lado, as novas influências que recebe em Coimbra o levam à negação de Deus, nunca deixou de ser cristão pela grandeza moral, benevolência, pela capacidade de fazer sacrifícios em prol do bem. Com efeito, o sentimento religioso em Antero manifesta-se na sua mocidade, mas também ao longo da sua vida, como se pode constatar na sua carta a Germano Meirelles: "A razão especulativa é um terreno movediço e são precarios os systemas que n'elle assentam. Mas a razão prática (como diz Kant), a consciência imediata que temos do nosso ser moral, da natureza livre e racional que em nós existe, é uma verdade de intuição, um facto de consciência, é a expressao da nossa mesma realidade. Conformamo-nos com ella é pois estar se não na verdade do Universo) com certeza na verdade da nossa natureza.»

(Sérgio, 1909:100/101)

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