Odes modernas

Ultrapassando as suas angústias amorosas, Antero debruça-se sobre a ânsia de justiça social, de progresso, sendo por isso publicadas em 1865 as suas Odes modernas. Demarcando-se da retórica ultra romântica (tendo em conta o prefácio da primeira edição) procura fazer da poesia moderna a voz da revolução: "Nesta obra, da primeira à última página respira-se um bafo quente de amor e de liberdade, é o martelar persistente de um espírito forte contra as defesas de um mundo velho e podre, mas renitente" (Sá, 1977: 47).

Trata-se, assim, de uma ode significativa quanto à grandeza moral de Antero, que exalta sentimentos como o amor, a justiça, liberdade, igualdade, verdade, que devem imperar e sobrepor-se às velhas estruturas sociais, dominadas pela injustiça, tirania, egoísmo e antagonismos sociais, por religiões que adoravam um Deus inexistente. Ou seja, o ateísmo marca a sua fase das odes: "O Evangelho é a bíblia da igualdade,/ Justiça é o tema imenso do sermão:/ E órgão a acompanhar... a voz da revolução!" (Lopes, 1983: 91).

Todavia, não obstante demarcar-se da crença cristã na qual fora fervorosamente educado, o poeta açoriano manifesta como grande objectivo, e como já foi referido, a construção de uma sociedade de cariz moral, mais justa e digna. É por isso que no seu poema "Cruxifixo" é peremptório: "Paz aos homens e guerra aos deuses!" (Sérgio, 1979; 55). As Odes modernas, como afirma Eça de Queirós, eram no fundo próprias de "um bardo dos tempos novos (...), despertando almas, anunciando verdades" (Cidade, 1978: 110).

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