Obra poética

A obra poética de Antero de Quental constitui o reflexo da sua complexidade interior, da sua lucidez, das suas angústias, ou seja, dos seus múltiplos estados de espírito porque, e como António Sérgio refere nos seus Ensaios, o poeta concentra em si duas personalidades opostas: uma faceta apolínea e um lado nocturno que o acompanha ao longo da sua vida. Há assim uma "oposição entre o seu sentir e o seu ver, entre o seu imaginar e o seu pensar, entre a sua natureza e o seu espírito" (Sonetos, 1979: 26). Este dualismo é decisivo na sua composição lírica reunida em três grandes colecções: as composições da sua juventude (Raios da Extinta Luz e Primaveras Românticas), as duas edições das Odes Modernas e, sobretudo, nos seus Sonetos.

[ CITI ]