Poesia como a voz da revolução

A nota sobre a missão revolucionária da poesia, incluída na primeira edição das odes, da qual se reproduz um excerto, é bastante elucidativa:

"Partindo deste princípio - a Poesia é a condição sincera do pensamento mais íntimo de uma idade - o autor, na rectidão imparcial da sua lógica, havia de necessariamente concluir com esta outra afirmação - a poesia moderna é a voz da revolução - porque a revolução é um nome que o sacerdote da história, o tempo, deixou cair sobre a fronte fratídica do nosso século" (Sérgio, 1979: 45).

Ou seja, face às novas necessidades, a poesia moderna deve demarcar-se dos sentimentalismos românticos e ser a voz, o espelho, a alma de uma época em que são necessárias grandes transformações. O poeta deve pois deixar de lado a inércia e assumir a sua alta tarefa revolucionária:

"Tu que dormes, espírito sereno,/ Posto à sombra dos cedros seculares,/ Como um levita à sombra dos altares,/Longe da luta e do fragor terreno,/ Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,/ Afugentou as larvas tumulares.../ Para surgir no seio desses mares,/ Um mundo novo espera só um aceno.../ Escuta! É a grande voz das multidões/ São teus irmãos, que se erguem.../ Mas de guerra... e são vozes de rebate!/Ergue-te, pois, soldado do Futuro,/ E dos raios de luz do sonho puro,/Sonhador, faze espada de combate!" (Op.cit.: 52).

Através dessa composição lírica faz-se um apelo aos poetas para que coloquem de lado os poemas pouco relevantes e se entreguem de alma e coração aos "combates eternos da justiça" (Op. cit.:79).

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