Árvore

Pode-se considerar uma autêntica revista (pelo número de páginas, riqueza de apresentação e pelo formato) embora também se considere "folha de poesia". Só quatro números foram publicados, devido à censura exercida pela P.I.D.E.: um no Outono de 1951, outro no Inverno de 1951/52, outro na Primavera e Verão de 1952,e o último, em 1953, quando a Árvore iria iniciar um novo período de vida. Para além de Ramos Rosa, também António Luís Moita, José Terra, Luís Amaro e Raul Carvalho eram seus directores e editores.

Estes escritores não se opunham ao neo-realismo, que estava quase extinto, mas propunham-se realizar uma espécie de síntese das tendências sociais da poesia dos anos 40 e das influências que as correntes nacionais e estrangeiras tinham trazido para o campo poético nacional.

Eles estavam " atentos à multiplicidade do real e à maravilhosa diversidade dos destinos poéticos", e tinham uma posição bem definida: "a nossa posição é a total isenção a tudo quanto a poesia der voz e pela poesia se realizar. Nosso primeiro critério: a autenticidade". Os dirigentes da Árvore diziam ainda:"consideramos a superior necessidade da poesia tanto no plano da criação como no da demanda social. Lutando pela dignificação da nossa condição de poetas, não esquecemos nunca que o sentido da verdadeira poesia é o da prodigiosa ascensão do homem".

António Ramos Rosa, no número quatro da Árvore, torna clara a sua posição em relação ao convívio entre o indivíduo e a sociedade, indo de encontro a uma frase de T. Tzara: " o escritor deve estar mergulhado até ao pescoço na História". No entanto, só na condição de o poeta poder estar totalmente liberto de todos os constrangimentos, quer intrínsecos, quer extrínsecos, ele poderia actuar sobre o mundo e lutar pelo aparecimento do homem verdadeiro.

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