Mundo Perfeito

Para o poeta, o mundo perfeito "seria o paraíso". No entanto, para ele: " O paraíso não existe como uma realidade que se manifesta temporalmente, como a duração; o paraíso talvez tenha existido mas este é um momento, nós temos a virtualidade do paraíso e esta virtualidade pode tornar-se real em determinados momentos. Por exemplo os escritores franceses falam muito em instante total; quer dizer, o paraíso seria o momento em que a pessoa sentiria uma sensação absoluta, total, de bem-estar, maravilhosa. E esses momentos apesar de serem improváveis são possíveis".

Para melhorar esta situação o poeta é da opinião que seria " preciso uma mutação radical, mas como é que será essa mutação, essa transformação? A existência é uma realidade que não é realidade onde o homem se sinta integrado, há sempre qualquer coisa que não está bem; há um desajustamento entre o homem e a realidade, entre o homem e a existência, isto em todos os tempos porque isso é inerente à existência, que não é o paraíso mas o desejo do homem é ter a possibilidade de criar um espaço de libertação, de tranquilidade. Esse desejo existe no homem e portanto é possível um dia (não sei quando) que possa haver uma mutação, uma metamorfose do mundo; embora a existência continue a ser uma existência com todas as suas relatividades (mas ) que o mundo se torne um pouco mais favorável à vida e condição humanas (muito difícil e poderia tornar-se mais humana se o homem conseguisse o desejo que ele tem de uma realidade mais justa, mais de acordo com o seu próprio desejo e a sua própria condição), talvez haja a possibilidade de medidas que competem aos políticos, aos homens que dirigem o País, medidas que impeçam esta situação tão difícil que é a situação actual que torna tão inseguras as pessoas, tão angustiadas e tão dependentes."

António R. Rosa, in entrevista concedida a Patrícia Valinho, 20/11/96

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