Poesia

"Eu escrevo por necessidade de escrever, porque para mim é a procura de um espaço de libertação, um espaço que transcende as limitações da existência as suas contingências, as suas vicissitudes e é o encontro com o espaço, se for possível, de serenidade, de tranquilidade, de eliminação; é um espaço que de certa maneira se relaciona com o cosmos, com a terra: É por isso uma relação com a terra no sentido em que esta pode ser ainda uma espécie de origem, de espaço em que o homem respire."

"A poesia tem sido para mim uma forma de libertação. Não se pode dizer que seja uma expressão simples, fácil, o que a poesia procura é algo que de certa maneira ela não consegue admitir. Quer dizer, a finalidade do poeta é escrever, criar um texto que tenha uma certa coerência, que tenha a coerência da incoerência (como diz um crítico francês). Mas é o que está para além das palavras, é o horizonte das palavras e é realmente o que é fundamental. Não só as palavras poéticas me fascinam mas aquilo para que elas apontam, o horizonte para que apontam, o espaço para que elas se dirigem é que é realmente a realidade imaginária e real; essa é que é a finalidade porque há em nós algo que é indefinível, incomunicável e indescritível. O poeta pode suscitar a possibilidade de tornar actual (no sentido real) certas virtualiades, que se concentram no desejo do homem, numa espécie de corpo que ele quer encontrar, como que penetrar nesse corpo /uma criação, mas também uma realidade exterior, cósmica)."

António R. Rosa, in entrevista concedida a Patrícia Valinho, 20/11/96

Para o poeta:

"Escrever é entrar é penetrar na fonte branca

(...)

O que se escreve na precisão de quanto é dito

mas é também abrir áleas no ilimitado e no incógnito."

António Ramos Rosa, in O Livro da Ignorância, 1988, p.70

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