Volante Verde

Porquê Volante Verde, António Ramos Rosa?

"Verde é, realmente, uma palavra que transmite a pujança deste meu livro, o que há nele de mais primordial, cósmico e vital. Volante? Pretendi, intencionalmente, identificar vários sentidos da palavra sugerindo que se trata de um volante poético - de um voo". "Há uma felicidade muito grande na poesia do Volante Verde".

António Ramos Rosa numa entrevista a Jorge Listopad e a Carlos Câmara Leme, para o «Jornal Ilustrado», em 1987

É a partir desta obra que o poeta atinge a luminosidade da sua poesia, a sua lucidez e que se consegue finalmente identificar "uma trégua da luta desesperada contra a opacidade e o excesso da linguagem que sempre tinham estado no centro da poesia de Ramos Rosa e a abriam a uma dimensão cr´tica em que todo o poema reflectia sobre as suas próprias condições de possibilidade. Este livro inaugura uma voz em certa medida reconciliada consigo e com o mundo, exprimindo essa reconciliação de um modo por vezes quase jubilante, e fazendo da aceitação do que é todo um programa existencial."

António Guerreiro, in prefácio de Obra Poética, volume I

" Algo nos cria e nos liberta dos absurdos cercos.

Despertámos para tocar a boca esquecida pela noite.

Somos a folhagem e o espaço, somos uma garganta fresca.

As sombras aquecem-nos e as estrelas visitam-nos.

O meu corpo é de argila estou vivo e aceito o dia."

António Ramos Rosa, in «Corpo de Argila», de Volante Verde, 1986

"Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.

Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.

O que eu amo está perto entre a terra e o ar."

António Ramos Rosa, in «O Obscuro», de Volante Verde, 1986

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