Onde Está a Felicidade?

Editado em 1856, o romance Onde Está a Felicidade? é um retrato fiel da sociedade da época, caracterizada pela importância do dinheiro e do estatuto como forma de promoção social. Trata-se de um romance onde impera a crítica à sociedade, representada pelas figuras de Guilherme do Amaral, que simboliza a riqueza, e de Augusta, que personifica a população de parcos recursos. Outra personagem considerável é um tecelão, de nome Francisco, primo de Augusta, por quem estava apaixonado. A história resume-se à busca da felicidade por parte de Guilherme e Augusta. Apaixonam-se e tornam-se amantes, no entanto, Guilherme abandona a jovem, seduzido pela beleza de uma prima sua. Mesmo grávida, Augusta é aceite por Francisco, que decide viver com a mulher que ama. O bébé morre com pouco tempo de vida e é ao enterrá-lo debaixo do soalho, em casa, que Francisco descobre uma fortuna escondida por outra personagem ( João Antunes da Mota). O casal consorcia-se e alcança a baronia de Amares. É ao regressar de uma viagem que Guilherme sabe da novidade, contada por uma personagem inominada, jornalista de profissão. O jornalista pergunta, em conclusão: «Em suma, queres saber "onde está a felicidade?" / -Se quero!!…/ - Está debaixo de uma tábua, onde se encontram cento e cinquenta contos de réis.»

in Dicionário de Camilo Castelo Branco, de Alexandre Cabral, pg.463, Editorial Caminho, Lisboa, 1988, s/ed.

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