Louros da glória

Na verdade, só depois da morte de Camilo lhe foi reconhecido o valor. Hoje em dia, a sua vida e obra é presença obrigatória nas matérias curriculares, sendo o autor estudado como um exemplo do Ultra-Romantismo. Enquanto foi vivo, fez das letras a sua profissão, submetendo-se aos ditames da época. Tudo em busca de uma independência económica, de uma forma de subsistir. Amado por uns e odiado por outros, não teve a liberdade de assumir uma autonomia a nível do pensamento literário, nem tão pouco de se revelar em todo o seu esplendor e mostrar as sua verdadeiras potencialidades. Talvez o viesse a fazer a seguir, não fosse a doença cercá-lo e impedi-lo de enfrentar a nova época literária que se adivinhava. Apesar de transparecer um pendor ultra-romântico nas suas obras, pode encontrar-se nas mesmas um prenúncio da nova era. A revolta pela doença afastou-o da vida, mas não o retirou do pátio da fama, em suma, da história da cultura literária portuguesa.

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