Necrófilo

A hipótese da necrofilia de Camilo é defendida por uns e contestada por outros. A suspeita parte da narrativa publicada pelo autor, em 1857, na Aurora do Lima, intitulada Impressão Indelével. Está narrada na primeira pessoa e conta a história da exumação do cadáver de uma antiga namorada de Camilo, Maria do Adro. Muitos dizem que a história é um relato da realidade e não uma ficção. Para ajudar à suspeita da necrofilia do autor, há o testemunho do único Prémio Nobel português, o Prof. Egas Moniz, que refere no seu livro Vida Sexual : «O que apenas desejei patentear é que, pelo exame das provas que as biografias publicadas nos fornecem, não podemos deixar a suspeita de que Camilo fosse um necrófilo.» (1). Mais tarde, o Prémio Nobel português rectifica a suspeita , concluindo que: «...Camilo não só nunca foi um anormal genésico, mas não mostra, por este relato, o mais leve pendor para o campo das perversões sexuais.»(2) Contra a tese da necrofilia, está, entre outros, Alexandre Cabral ao dizer que o facto de Camilo ser o sujeito de enunciação da narrativa, não o torna o sujeito da acção.

(1) in Dicionário de Camilo Castelo Branco, de Alexandre Cabral, pg.441, Editorial Caminho, Lisboa, 1988, s/ed.

(2) Op.Cit., pg.442.

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