Nas palavras do próprio... O Regresso ao Almanaque
"- Regressou...
- Regressei, regressei sem novidade, e aqui tem, o «Almanaque» chama-me de novo para a direcção. Mas eu trazia novas ideias, a experiência no «Senhor» tinha-me motivado muitíssimo. Os redactores, Sttau Monteiro, Abelaira, José Cutileiro, O'Neill e Vasco Pulido Valente, aderiram à reestruturação que lhes propus e a revista apareceu nos moldes que a tornaram personalizada. Curiosamente, de toda a equipa do «Almanaque» só o Alexandre O'Neill é que era da minha geração. Mas, adiante... o «Almanaque» preencheu o espaço que lhe era possível, paz à sua alma e glória aos happy few que o apreciavam.
- Havia quem considerasse o «Almanaque» uma revista de grupo...
- Não, nunca foi uma revista de grupo - aliás, pela parte que me toca, eu nunca cultivei qualquer espírito de grupo. Quando muito, talvez nunca tenha passado em toda a minha vida de um integrado marginal ou coisa que se pareça... Para aí, sim: integrado e marginal... na melhor das hipóteses, a minha posição em relação a grupos só pode ser essa. E não é porque eu ache repelentes os grupos literários, não é disso que se trata. Penso até que a agressividade e o sectarismo que possam alimentar os grupos são dinamizadores da criatividade e facilitam uma perspectivação histórica do seu trabalho individual. Se assim não fosse, talvez um Pessoa, um Almada ou um Sá Carneiro tivessem demorado muito mais tempo a ser descobertos."
Cardoso Pires por Cardoso Pires, entrev. de Artur Portela, 1ª edição, Publicações D. Quixote, 1991, 124 p., pp. 44 - 46
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